Madrugada da sexta-feira, 2 de junho
Há uns dias criticava Maria Touza neste portal o obsessivo ocultamento da dor que fai a nossa sociedade moderna, reivindicando que “é questom de tempo que caiamos desta burra opulenta e hedonista, e comecemos a viver como sempre se fijo, com dores e fracassos, para termos alegrias e vitórias. A ditadura do prazer, como único patrom do “bom”, é o reverso lógico deste ocultamento.
Continuamos com os experimentos caseiros. Empregaremos números nele, mas fugimos do quantitativismo: afinal, os números só nos devolvem o que lhes demos antes. Assim que só os empregaremos como ingredientes, ou que é o que tem que invejar umha maçá a um sete ou um oitro? A sequidade da razom amiúde produze esterilidade, assim que há que guiar-se polo cheiro. Desta vez deitamos na cozinha sociológica várias parelhas no Google para ver os resultados. Queremos achar nele o caminho ajeitado para termos mais Galiza e menos Espanha:
É sabido que desde sempre o poder alternou o pau e a cenoura para manter-se e reproduzir-se. Pau para as túzaras, tercas e radicais; cenoura para os responsáveis, pragmáticos e que nom duvidam "em deixar-se de idealismos e fazer cousas de verdade polo país". A cenoura -ou 'purito', segundo a ocasiom-, tivo amiúde certo aquele literário, se calhar por isso de serem os finos e responsáveis, opostos às bárbaras lançadoras de garrafas.
O delírio condenatório dos últimos tempos chegou ao ponto de que umhas pintadas no local do PP da Guarda, efectuadas durante a jornada de Greve Geral, tivérom que passar polo sacramento da "repulsa e firme condena". A cenografia da condena nom tem, para bem ou para mal muito sentido prático mias do que funcionar como um dispositivo de poder, umha armadilha na que umha vez se entre dá igual umha eleiçom ou outra.
Quando no 1984 o presidente da RAG, García-Sabell, moveu mar e terra para que o galego fosse juridicamente subordinado ao espanhol, ainda muita gente se negou a desacreditar a instituiçom: "estava sequestrada", diziam, "quando seja recuperada estará novamente ao serviço do povo".
26 de Junho: A historiografia militante recupera do olvido a proclamaçom da República Galega de 1931. Justo Beramendi sai ao passo nas páginas do El País: "arroutadas como estas, los anarquistas hacían 200 al mes". Dia da Pátria: As páginas principais de La Voz de Galicia recolhem com pompa a notícia de que Ferrín recebe "orgulhoso" o Prémio Fernández Latorre instituído na memória do fundador de dito jornal. Entre outros, no júri estavam Santiago Rey e Roberto Blanco Valdés.