25-J: a memória do comunitário como projecto nacional

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O normal é que nom se passe nada nestes tempos, aparentemente imperturbáveis, de declínio do capitalismo. Infelizmente, desde hai tempo, umdesígnio cruel e destrutivo tornou normal o irracional. Nom só, mas também por isso acudo cada ano a Compostela; guiado pola esperança de que,ao ser o Dia da Pátria, algo extraordinário chegue a acontecer. Umha esperança que inevitavelmentese volve cada vez menor, quando levas mais Dias da Pátria dos que podes lembrar. 

Devo confessar, porém, que o meu cepticismo nom tem muita razom de ser porque ‑de facto‑ hai anos nos que, polo que seja, o extraordinário fai-se presente. Precisamente, para moitos e moitas das que este 25 de Julho ateigávamos O Pichel, esta foi um dessas jornadas fora do normal. Fora do normal, sem dúvida, porque algo de histórico se respirava nesta assembleia. Mas também porque, o futuro que queremos pôr em andamento, é um projecto nacional e comunitário de recusa da normalidade.

Cada dia com umha maior insistência, os ventos da história assinalam um lugar ‑situado além da sociedade da mercadoria‑ que reconhecemos como o nosso destino. Podemos dispor dumha teoria crítica que nos descreva, como o melhor dos mapas, a realidade que havemos transitar na procura desse lugar. E podemos, também, contar com o compás do nosso compromisso ético, a assinalar‑nos sempre o norte das certezas nesta empresa. Mas esse mapa teórico, e esse compás moral, seriam instrumentos inutéis para esta viagem, se nom soubéssemos qual é o nosso ponto de partida: esta naçom, a nossa, cuja indentidade ainda se funda numha inegável tradiçom de trabalho comunitário, ajuda mútua e território socialmente produzido em mão comum.

Sabermos nom apenas a onde queremos ir, mas também de onde vimos, é a chave para encontrar o caminho que queremos percorrer. Esta Terra nom é país de planaltos. A exuberância de bosques e de outeiros detém os olhares e enraiza o pensamento na proximidade. Torna-o sedentário; quer dizer, memória. Lembrança colectiva, comunitária, de malhas e matanças; de seráns e entruidos; de festas e trabalhos partilhados, mas também do desprezo e a desconsideraçom como formas coloniais de imposiçom do alheio. Esquecer seria extraviar-nos.

 

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