Ratazanas, assembleias e controlo social

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O último número do Setmanari Directa dá a conhecer o projeto de final de mestrado de David Piqué, o número 2 da polícia catalá. Este psicopata é o mesmo que dixera entre grandes aplausos, referindo-se às manifestantes da última greve geral, que “se podem esconder onde quixerem, porque os vamos encontrar. Já seja mumha cova ou num esgoto, que é onde se escondem as ratazanas, ou mumha assembleia, que nom representa ninguém, ou por trás dumha cadeira dumha universidade”.

 

Este trabalho de Políticas Públicas de Segurança (sic) consiste na proposta dum plano de açom para acabar com o movimento okupa/antissistema em Barcelona. Três cousas que me chamam a atençom do documento:

a. Que de novo um alto cargo da polícia qualifique constantemente como “inimigo” às pessoas que reclamam os seus direitos e aliás que aplique toda essa retórica militar: Modelo von Klausewitz, Modelo Sun Tzu, Model Miyamoto Mushasi, Modelo Juli Cèsar. A polícia sabe que o inimigo é o povo e que toda dissidência vira potencialmente delitiva, mais umha vez, Carl Schimitt, o Estado de exceçom e o Direito penal do inimigo.

b. Que reconheça que é preciso gerar nos mídia um “debate político dirigido” e invisível para o desprestígio e criminalizaçom do movimento. Do seu ponto de vista, o que se autodenomina “opiniom pública” nom é outra cousa que “opiniom publicada”.

c. Que considere as tácticas empregadas próprias de regime totalitários, mas que “infelizmente” som usadas com muita frequência nas democracias ocidentais. A democracia liberal um novo totalitarismo? Abofé.

 

Surpreende que explique sem eufemismos a guerra suja que praticam. Por isso penso que devia ser lido e discutido para fazer frente aos ataques preventivos que de facto já estám a ser implementados (versom em catalám, versom em castelhano-espanhol).

 

O Estado/CEOE tem numha mao o cassetete e na outra a caneta, por isso nom é preciso citar as fontes nas notas de imprensa do Ministério de Interior. Na guerra, a propaganda é um instrumento imprescindível e o comissário David Piqué sabe que estamos em guerra. No entanto, também considera um risco, um perigo, umha fortaleza certas características ou dinámicas que podem ser adoptadas pola dissidência e, de se generalizarem, poderiam significar agora mesmo um perigo para o status quo:

a. A possível uniom dos grupos antissistema (pag 30).

b. A simpatia e cumplicidade da vizinhança (pag 11).

c. Que a sua seja umha forma de viver fora da lógica capitalista (pag 14).

 

Umha cousa semelhante comentava o Txelui Moreno quando lhe perguntavam cómo a esquerda abertzale era capaz de aguentar semelhante estratégia de repressom. Ele respondia que a esquerda abertzale nom é umha organizaçom política, é umha forma de ser, umha forma de vida. Acho que a resistência camponesa ao capitalismo também vem motivada por isto. Algumhas perguntas: como sairmos do capitalismo dentro do capitalismo? Como contra-arrestarmos as suas tácticas militares?Como desligarmo-nos do seu sistema de produçom, de consumo, de lazer? Como estendermos umha nova subjetividade, uns novos valores, umhas novas relaçons?

 

No dia dos Mossos d'Esquadra, o comissário chefe reconhecia que vinham tempos “muito intensos”. Palavras de ordem como “chamam-lhe democracia e nom o é”, “nom nos representam”, “nom somos antissistema, o sistema é anti-nós” “Españistán é a nossa ruína” socializam umha mensagem clara: o relato da Transiçom acabou de rebentar na cabeça do elefante de Botsuana. Além deste deserto existem outros mundos possíveis, por isso é máis urgente do que nunca sairmos do gueto, esquecermos as siglas, tecermos comunidade, racharmos o isolamento, fazermos pais, erguermos a República de 99%, construirmos umha democracia radical.

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