30/12/10

Xosé Tarrío, presente

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A morte de Xosé Tarrío o 2 de Janeiro de 2005, depois dumha cadeia de negligências médicas e judiciais, obriga a considerar essa data entre as datas fixas do almanaque da resistência anti-autoritária. Ainda que com estadias anteriores em distintos centros de internamento para menores, dos que sempre conseguiu fugir, e com breves passos polo cárcere desde os dezasseis anos por delitos menores, desde a sua entrada na cadeia em 1987 até a data da sua morte, poucos fôrom os meses em que Tarrío pudo viver a vida fóra dos centros de extermínio. Assim se sentia el: roubado.

 

O exemplo deste home, maravilhosamente narrado no seu livro Huye, hombre, huye (Virus, 1997), continua a ser válido nom apenas como testemunho directo da face criminal das políticas penitenciarias desenvolvidas na democracia espanhola das últimas décadas. Mas tamém como símbolo dumha luita que, com base na experiência da marginalidade social e polos caminhos da autoconsciência e da autoformaçom, fundamentou umha auténtica filosofia da liberdade.

 

A lembrança de Xosé Tarrío, especialmente interessado em determinados episódios da história da Galiza (como as revoltas irmandinhas ou a resistência antifranquista) e admirador da actividade do EGPGC, a cujos/as militantes considerava companheiros/as de luita, poderia ser orientada na actualidade para a activaçom de determinados debates no seio da esquerda revolucionária. Em primeiro lugar, para avançar numha superaçom da distinçom entre presos/as políticos/as e presos/as comuns, enfrentada desde a consciência de os sistemas judiciais e carcerário serem dous dos mecanismos básicos para a reproduçom das distintas opressons económicas, culturais e políticas que sustenhem o Estado de direito e, neste sentido, de que toda detençom, todo encarceramento, obedece a umha estratégia política.

 

Em segundo lugar, e em relaçom com o interessante debate iniciado por Carlos Calvo Varela e Ângelo Pineda em entregas recentes do Novas da Galiza, para o desenho dos objectivos e dos horizontes políticos de mínimos a atingir polo conjunto da esquerda galega. Com protagonismo destacado, sem dúvida, para o papel a cumprir nessa folha de rota polo modelo político estatal e, em relaçom com os assuntos agora tratados, com as funçons desenvolvidas nesse modelo pola instituiçom carcerária, só contraditoriamente incorporáveis a programas políticos baseados na solidariedade entre os/as iguais.

 

O último debate para o que o testemunho de Xosé Tarrío serve como acicate parte da análise crítica do relacionamento estabelecido entre o sindicalismo de classe, incluída a CIG, e o mundo carcerário. Com dous planos de actuaçom concretos: a exploraçom da populaçom pressa como mao-de-obra barata e a cobertura sindical outorgada ao funcionariado das instituiçons penitenciárias. Para o primeiro dos assuntos, Laura Bugalho (Novas da Galiza, 89) achegou este ano alguns dados significativos, num campo de actuaçom sistematicamente esquecido polas principais centrais sindicais mas avondosamente trabalhado, por outra parte, desde distintos colectivos anti-repressivos como PreSOS Galiza. Em relaçom com a defesa do pessoal assalariado das prisons, resulta intolerável tanto a habitual justificaçom da repressom no interior da cadeia quanto o discurso vitimista sobre as condiçons de trabalho e seguridade desse grupo profisional. Que tipo de miopia é a que justifica o encerro, a agressom e a humilhaçom constante, para ignorar as vítimas dos mesmos?

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