Manuel Crestar

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CRESTAR, Manuel. 1900- 19??. Nado no 21 de dezembro de 1900 em Betanços, artista desde jovem, começou militando no movimento irmandinho, emigrou a Cuba onde fijo parte da arredista Juntança Nacionalista Galega de Havana, sendo o desenhador do primeiro vozeiro independentista galego. Na sua volta à terra, combateu nas fileiras libertárias durante a Guerra Civil, colaborando no periódico Galicia-Libre dos anarquistas galegos, após a qual se lhe perde o rasto.

Nasceu no primeiro andar do número 80 da rua da Ribeira, em Betanços, foi o primeiro de nove irmaos, filhos do canteiro Xacobe Crestar Faraldo e Enriqueta Díaz Vázquez. Posteriormente, com a morte dos avôs, transladam-se à sua casa, no número 7 da rua Travessa. Trabalhou um tempo de empregado na Casa Núñez, e Xesús Torres supom que, ao igual que o seu irmao e o seu sobrinho, deveu inicar-se na arte fazendo os desenhos do famoso globo do Sam Roque.

Durante 1918 e 1919 faz parte da Diretiva da Irmandade da Fala de Betanços. Nesse ano, marcha para Cuba. Ali, publicará desenhos nas revistas Bohemia, Confetti, Cascabel, Civilización e Social. Pretendia instalar-se em Nova Iorque mas nunca chegou a fazê-lo. Em Havana ingressa nas Juntança Nacionalista Galega de Havana, com o cargo de vogal. Tem o mérito de ser o desenhador do cabeçalho do seu vozeiro “Nós”, o primeiro no que aparece a palabra “Independência”. No número dous deste vozeiro descrevem-nos ao jovem artista assim:

É todo um senhor artista, e o simbólico desenho que estampa o cliché de Nós, a ele se lhe deve.

O jovem Crestar é um dos mui pouquinhos que sentem na sua alma a sua vocaçom; o bastante para que nom ache por estes lares mui espléndida proteçom; quem nestes mundos de Deus e dos homens, nom som as melhores condiçons para medrar, o laborar com justiça e ter méritos positivos. O senhor Crestar será umha das nossas glórias na Pictórica; Saibam-no assim os galegos.

Quando vejades por aí um rapazinho mui novo, que caminha com tristura, que nom leva muito ouro nem grandes alajas de pêrolas na sua equipa, que a todos mira com dozura, com humildade, que apanas fala... quando vejades este rapazinho, galego, saudai-no com respeito, com admiraçom, com carinho, que estais frente a Crestar!...”.

Desde Havana envia adesom à III Assembleia Nacionalista de Vigo, mas a finais desse mesmo ano está já de volta à terra, expondo na Corunha conforme informa A Nosa Terra em novembro: “Crestar, que xa val moito -di o vozeiro nacionalista-, promete chegar ô cumio do trunfo, si sigue traballando con fe e constancia”.

Em 1922, citam-no em Rexurdimento, órgao dos nacionalistas de Betanços, sob o rubro de “Artistas de Betanços” sinalam que: “...o enxebre Crestar, que tantos loureiros ten levados en algunhas esposiciós recientemente celebradas. Este, como Veiga, han ser ademirados por nosos leitores, xa que nos conceden o gran favor de colaborar na parte artística do noso boletín.”, embora nunca chegasse a colaborar na publicaçom.

Nesses anos faz parte da tertúlia de La Peña, na Corunha, junto pessoas como Abelenda, Bonome ou Álvaro Cebreiro. Em 1923 participa na III Exposiçom de Arte Galega na Corunha, mas na altura já reside em Madrid, quiçá convivendo com o seu amigo e também artista Bonome. Em 1925, participa na Exposiçom de Outono de Madrid. A revista nacionalista Céltiga, de Buenos Aires, publicará-lhe vários desenhos no número especial do Dia da Galiza de 1926, entre elógios.

Na II República espanhola atopamo-lo em Betanços, morando na casa da Rua Travessa, atendendo a loja familiar. Permanece solteior.

Em 1936, parece afastado do nacionalismo já. Nom sabemos onde o colheu o golpe fascista, mas sim que foi seguindo o intinerário do governo: Madrid, Valência, Barcelona... para rematar passando à França após a derrota. Em 1938 figura já como libertário. Publica no Galiza Livre “Porta-voz dos galegos libertários” um gravado sobre a barbárie fascista no 20 de janeiro, e no número do 10 de março já aparece como membro da diretiva da Agrupaçom de Galegos Libertários. As últimas novas que temos dele som do seu primo Antom Crestar, quem diz que se achava ao remate da guerra num campo de concentraçom na França, e que albergava esperanças de poder expor em Paris. Mas aí perde-se-lhe a pista. Xesús Torres pergunta-se se sairia com vida do campo de concentraçom, e se morreria fazendo parte da resistência francesa.

 

Bibliografia

TORRES REGUEIRO, Xesús. "Manolo Crestar. O bohemio libertario que retratou a represión do 36 en Betanzos". A Xanela. Revista cultural das Mariñas nº 11. Primavera. 2001

TORRES REGUEIRO, Xesús. “O artista betanceiro Manuel Crestar Díaz: entre a bohemia e o compromiso”, Anuario Brigantino, 2003, nº 26, pp. 443-456 (disponível em: http://anuariobrigantino.betanzos.net/Ab2003PDF/2003%20443_456Crestar.pdf , nele aparecem numerosos debuxos de Manuel Crestar).

 

Fotografia: caricatura de Manuel Crestar realizada por Bonome, e publicada no número especial de Céltiga para o Dia da Galiza de 1926.

 
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