Guimarães, capital Corunha!
C.C.V./ Desde que a Uniom europeia concebeu a ideia da Capital europeia da Cultura, várias fôrom as cidades de fala galega que ostentárom o título: em 1994 Lisboa, em 2000 santiago de Compostela, em 2001 Porto, e neste 2012 Guimarães. Na web do evento assinalam que “A criação da cidade de Guimarães remonta ao século X, tendo sido aqui que, em 1128, teve origem a fundação da nacionalidade portuguesa e o reconhecimento de D. Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal”. Nada se diz da Galiza com relaçom à cidade. Nesta terra incómoda, origem “bastarda” dos relatos nacionais espanhol e português, estamos acostumadas ao silenciamento.
Guimarães foi fundada no século IX por um corunhês, o cristám e senhor da guerra Vímara Peres. Do seu nome germánico: Vigmar ou Vigmarr, “famoso na batalha” (vig = batalha, marr = famoso), a cidade passou a chamar-se Vimaranis, que com o tempo deu em Guimarães. Será esta também a origem de várias aldeias no norte do Minho? Os Guimaráns de Carcácia, sam Mamede de riba d´Ulha, Bugalhido, Cabanas e ordoeste, a sul de Compostela; junto com Guimaráns de Batalháns, no arraia no concelho das Neves?
Vímara Peres tivo a encomenda de Afonso iii de conquistar para a Galiza o vale do Douro, ganhado aos muçulmanos em 868, tornando-se primeiro conde de Portucale, germolo da independência portuguesa. A sona deste caudilho corunhês está plasmada em monumentos como o de salvador Barata feyo, colocado em 1968 no Porto, ao ladinho da sé. Também dá o seu nome à rua que une, sobre o Douro, o Porto com Vila Nova de Gaia. No século X, Henrique de Borgonha edifica e ocupa o castelo de Guimarães, umhas das pedras que mais poderiam falar de todo Portugal. sobejamente é
conhecida na historiografia galeguista o papel nefasto que para a Galiza significou a independência do Condado Portucalense de maos de D. Henrique: funcionou como um “estado tampom” para frear o poder galego e esgaçou o território histórico da naçom. Assim se lamentava Castelao no sempre em Galiza: “A unidade territorial da Galiza - reconhecida polo império romano e consagrada polo reino dos suevos – estrangulou-se numha luita egoísta e fratricida de príncipes; e em finais do século Xi foi repartida em dous Condados: um para raimundo de Borgonha, casado com Urraca, e outro para Henrique de Borgonha, casado com Teresa. Esta partiçom despedaçou a potente eclosom do nosso génio”.
Paradoxalmente, hoje, e desde 1988, nos muros deste castelo emblema do divórcio galego-português, pode-se ler umha placa em “Homenagem à cultura lusogalaica”, com sendas frases de Castelao e Pessoa: “A nossa língua floresce em Portugal” e “A minha pátria é a língua portuguesa”. Informa Carlos Durão que foi colada polas irmandades da fala da Galiza e Portugal, no 7 de maio de 1988, em homenagens em que participárom, entre outros, Valentim Paz-Andrade ou isaac Dias Pardo. Por último, quem visitar a cidade, sentirá na sua arquitetura a pegada dos canteiros galegos, que durante o s. XVIII fôrom protagonistas das novas edificaçons.
Felizmente, as vereadoras nacionalistas da Corunha lembrárom-se do Vímara Peres, propondo impulsionar a irmandade Corunha-Guimarães, com campanhas sobre a cultura portuguesa na Corunha e atos para tomar consciência do “caráter internacional do galego-português”.
Publicado primeiro n´A Revista 44


