| Reportagem sobre relaçons cooperativas |
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| 13 de Setembro de 2008 | |
Iniciativas de economia social dam os primeiros passos em algumhas cidades galegas A crise em andamento está a ressaltar a necessidade de "viver com menos" e, no mesmo sentido, de viver mais dignamente fora das seudonecessidades impostas. Nom por acaso, som as duas grandes cidades galegas -Crunha e Vigo- as que estám a experimentar formas embrionárias de economia social. Naqueles entornos onde os laços comunitários som mais fracos, e onde a velha lógica da cessom e a ajuda mútua foi engolida polo mercado, apontam novos projectos colectivos. Na cidade herculina, a Rede de Troco leva nove meses funcionando, enquanto Vigotroca, no sul da Galiza, nasceu há mais tempo, vencelhada ao CS Cova dos Ratos. De galizalivre aproximamo-nos a estas experiências, desvendando forças e fraquezas.A Rede n'a Crunha. N'a Crunha, os promotores da experiência pugérom a andar umha ferramenta que permite intercambiar qualquer cousa ou qualquer serviço entre os seus integrantes, para além de facilitar a cessom ou o empréstimo. Incorporárom também umha moeda complementar, que permite que os intercámbios se fagam multilaterais e nom só recíprocos. Por volta desta iniciativa vam-se tecendo aos poucos novas relaçons entre as pessoas, fazendo possível que a gente viva dignamente com menos, e sem emporcalhar tanto a Natureza. A reutilizaçom, de facto, é um dos princípios reitores. Os e as promotores do projecto defendem umha rede "independente e autónoma", que nom se ligue a nenhuma instituiçom, e que tiver como base a assembleia e a confiança das pessoas que a formam. Quantificar o intercámbio. Na Rede decidírom estabelecer umha medida de intercámbio, o "patacom", entendida como umha moeda própria. Cada hora oferecida por cada participante, este recebe dez patacons; um patacom também tem umha equivalência com um euro, para objectos quantificáveis. Os intercámbios estabelecidos polas pessoas ficam anotados numha táboa, de maneira que se levam as contas dos serviços emprestados. Espaço físico. A Rede funciona com umha aplicaçom informática que vai registando e facilitando os intercámbios, sem esquecer a ocupaçom de espaços físicos. Assi, umha vez cada mês, estabelece-se um mercadinho em plena rua, que inclui umha secçom para as crianças: "o troquinho". Vigotroca, objectos e serviços. Vigotroca disponibiliza um cumprido espaço na rede, onde se apresenta o seu funcionamento (http://vigotroca.arkipelagos.net/taxonomy/term/5%2C10). Com umha focagem eminentemente prática, exponhem-se ofertas e procuras. Cada umha delas divide-se em "objectos" e "serviços". No primeiro campo, podem-se intercambiar ou ceder desde livros a bicicletas, passando por mobília. No segundo, serviços imateriais (cuidados, aulas de língua ou música), ou físicos: arranjos domésticos, alvanelaria. Umha vista de olhos à página permite comprovar como som mais numerosos os oferecimentos e procuras de objectos; dentro dos serviços ofertados, avondam mais os imateriais que os materiais. Como os seus equivalentes corunheses, saem à rua um Sábado de cada mês. Forças e fraquezas. Ainda é cedo demais para julgarmos globalmente uns projectos mui novos que, mais que inventar, recuperam usos sociais vigorantes há quatro ou cinco décadas. As ajudas entre a vizinhança em reparaçons e amanhos, ou o partilhar as viagens em carro ("auto-stop") som realidades que ainda lembram as pessoas de cinquenta ou sessenta anos, antes de serem varridas pola vaga de individualizaçom. Umha virtude semelha inegável: som um contributo sensato para reduzir gastos, reutilizar o material e tecer redes solidárias. Também conviria salientar que demonstram que as gentes auto-organizadas, sem mais recursos que a ilussom e as ganhas de fazer as cousas bem, podem prescindir das aranheiras institucionais espanholas. A organizaçom estatal e autonómica de "bancos de tempo" (como de outras muitas actividades sociais) procura apenas clientelas políticas, substituindo os e as verdadeiras protagonistas dos processos colectivos. O cerne da questom. No interior mesmo das Redes de Troca agacham-se duas realidades mui distintas: umha é um tipo de mercantilismo rudimentar (sem moeda, através do troco, ou com umha moeda alternativa), que vem a fundamentar a relaçom social em equivalências quantificáveis: "dou-che tanto disto e recebo tanto de aquilo". O modelo possibilita prescindir da moeda e da escravitude bancária, como também estabelecer contacto com pessoas afins. Ora, tampouco impide que se estabeleça umha lógica de acumulaçom de cousas e acaparamento baseado no troco: um bom "negociante" poderia acumular objectos ou sair melhor parado num intercámbio de serviços, baseando-se apenas no cálculo. Umha outra lógica presente nas redes é totalmente diferente: é a cessom desinteressada, onde umha pessoa coloca os seus recursos ao dispor do comum. Receberá algumha cousa a cámbio, mas nom quantificará se essa contrapartida é equivalente (em dinheiro ou em objectos) a aquilo que ele doou. Trataria-se dumha espécie de "economia do dom". As perguntas que suscita som também de calado: como evita umha economia deste tipo o abuso dos "luras" (pessoas que tomam e nunca dam), e que tipo de coerçons estabelece, sem impor o uso de moeda? Experiências internacionais. Como é sabido, os clubes de troca alcançárom um renome internacional com motivo da crise Argentina de inícios da década: fôrom, como os comedores populares ou a ocupaçom ("movimento de inquilinos"), um dos fenómenos mais interessantes para as classes populares sobreviverem à crise. Num contexto mui distinto, o francês, funcionam as "Maisons pour Tous" ("Moradas para Todos"), umha mestura entre centros sociais e bancos de tempo que estabelecem umha sociabilidade sem dinheiro. Nem cumpre dizer que aqui nom solucionam necessidades vitais básicas -comida, habitaçom, roupa-, senom que socializam saberes e favorecem as relaçons entre a gente. Que acontecerá na Galiza? O movimento popular terá que esclarecê-lo na sua prática. De partida, semelha que umha dinámica independente da instiucionalidade espanhola -inclusive dos seus servos autonomistas-, e regida pola lógica da austeridade e a reutilizaçom, pode ser ferramenta para quem a precisam: mocidade precária, pobres, imigrantes, famílias trabalhadoras em apuros...desvencelhar os movimentos dos titores institucionais, e da classe média acaparadora e amiga da orde, tam nociva na Galiza, pode ser um passo de certo alcanço. . |
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A crise em andamento está a ressaltar a necessidade de "viver com menos" e, no mesmo sentido, de viver mais dignamente fora das seudonecessidades impostas. Nom por acaso, som as duas grandes cidades galegas -Crunha e Vigo- as que estám a experimentar formas embrionárias de economia social. Naqueles entornos onde os laços comunitários som mais fracos, e onde a velha lógica da cessom e a ajuda mútua foi engolida polo mercado, apontam novos projectos colectivos. Na cidade herculina, a Rede de Troco leva nove meses funcionando, enquanto Vigotroca, no sul da Galiza, nasceu há mais tempo, vencelhada ao CS Cova dos Ratos. De galizalivre aproximamo-nos a estas experiências, desvendando forças e fraquezas.
Seguimos trazendo de novo à luz conteúdos do periódico Gralha que, além do seu evidente interesse histórico, continuam a apresentar certa vigência no actual cenário político. É este o caso da entrevista a Ramom Lôpez-Suevos, do outono de 1997, no que se debulham temas de inegável importância 13 anos depois: a evaporaçom ideológica do nacionalismo institucional (“Começando polo Bloco, dizer que hoje é mais um partido do sistema onde nom se aprecia ideologia nenhuma”), a obsolescência dos partidos (“nos últimos anos, as únicas cousas interessantes nascérom à margem dos partidos, desde o reintegracionismo até o movimento de insubmissos”), a dissociaçom entre ideologia de vida e ideologia eleitoral (“Umha das cousas mais interessantes a dizer do nacionalismo nos últimos anos é que quanto mais aumentam os votos menos se nota na gente, por exemplo na evoluiçom da língua”), o colonialismo económico e cultural (“Desde logo há umha subordinaçom económica, umha opressom política e um esmagamento cultural total do país. Tudo isto está concatenado. Poderiamos-lhe chamar colonialismo versom europeia”), a independência como única opçom democrática (“Opto pola independência total. Independência até para cedê-la ou para negociá-la. Na Europa desde logo seria melhor ser um estado que umha regiom da Espanha”), a relaçom com a lusofonia (“Por outra parte, há que primar por todos os meios a relaçom com Portugal por razões culturais, geopolíticas e de contrarrestas as forças centrípetas e também por razões económicas”) e mesmo a situaçom da universidade galega (“A universidade sempre foi um factor colonizador. Sempre o foi e segue-o sendo mas hoje em dia nom se vê resposta”)