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Opiniom de Ângelo Pineda Marinho PDF Imprimir E-mail
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03 de Febreiro de 2009

Ideologias e língua (II) 

ImageVimos que os meios de comunicação na Galiza cumprem uma função a respeito do facto nacional: durante bastante tempo recordam sutilmente aos galegos que pertencem a Espanha e que “têm” uma língua comum, o castelhano, superior a qualquer expressão “regional” sempre suspeita. Para além disso, os aspectos lingüísticos da meta-ideologia conservadora incidem no enfraquecimento do contrário; por exemplo, avivando as diferenças entre o povo que fala “um galego autêntico” e os burocratas e universitários em geral que falam “um alemão de Lugo” (José Luís Alvite dixit).

 

Chegada uma determinada altura estas idéias, como digo, sedimentadas durante bastante tempo no subconsciente de grandes sectores da população, são mobilizadas em favor de determinadas plataformas com interesses políticos concretos. É assim que dada uma coligação específica no governo autonômico aparecem, e nalguns casos se reavivam, estes grupos em defesa do castelhano. Não tem nada a ver com um simples “erro de diagnose” a respeito da situação social do galego e do castelhano. A situação do galego é suficientemente explícita para evitar qualquer equívoco.


Os grandes grupos de comunicação do país o único que fazem é organizar ideologicamente esse caos que é a sociedade galega em função dos interesses das suas classes dominantes. E esses interesses, geralmente, são contrários a sobrevivência do galego.


No que respeita à ideologia reactiva do nacionalismo galego, caberia esperar uma habilitação dos seus aderentes para contravir tudo o arsenal ideológico cañí. Contudo, isto não é assim, ou não é totalmente. Achamos que por motivos de oportunidade política refuga-se, por exemplo, qualquer formulação que implicar a percepção dalgum tipo de carga impositiva sobre os castelhano-falantes, aos que também se pretende ter como eleitores.  Desta maneira, no desenvolvimento do trabalho que estamos a realizar sobre a questão, topamos muitas dificuldades na formulação de objectivos e estratégias desejáveis para o galego, por parte de pessoas com uma sensibilidade galeguista muito marcada.


Dalgum modo, existe um discurso bastante amplo que não aspira a que o galego substitua o castelhano nos domínios nos que este é língua veicular; senão que pretende um “empoderamento” (empowerment) que equilibre ambos os idiomas. O termo empoderamento está tirado do campo da mediação, mais concretamente da corrente transformativa, e se refere às técnicas para equilibrar as partes dum conflito quando uma delas está numa situação de fraqueza. Geralmente, o empoderamento realiza-se remetendo a parte dominante às normas do processo mediador.


E aqui está o problema. No processo ao que aplicamos o conceito, não existem umas normas que assegurem o equilíbrio entre galego e castelhano. O quadro legal do Estado Espanhol está desenhado para a primazia do segundo, e qualquer norma autonômica que quiser corrigir esta situação sempre estará subordinada à norma jurídica suprema da Constituição espanhola, cuja letra é suficientemente explícita e conhecida como para ser reproduzida aqui. Como muito, desde esta perspectiva apenas se pode aspirar a uma situação de equilíbrio instável que sempre favorecerá o castelhano.


Além disso, habitualmente não se contempla o aproveitamento de todas as potencialidades da nossa língua. Neste senso, a filologia sinala duas opções claras e conhecidas até o aborrecimento: ou o galego é uma língua de (sejamos generosos) dois milhões e médio de falantes, circunscrita a um área geográfica onde a língua prestigiada é o castelhano; ou o galego é parte duma língua que nos permite uma intelecção com aproximadamente duzentos milhões de falantes  e que nos possibilitaria contestar nalgum grau a relação de dependência que vem amostrando Galiza a respeito do mundo cultural de expressão castelhana. Dito com outras palavras: ou “galego” é o termo que temos para denominar “o nosso português”, ou o maior problema que temos não é Galicia Bilingüe, UPyD ou mesmo o PP. O principal problema somos nós próprios. 
         

 
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