| Entrevistamos Mulheres Transgredindo |
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| 02 de Marzo de 2009 | |
“A imagem da violência de género como golpes ou mortes é absolutamente intencionada por parte dos poderes públicos e dos mass media.” Pensais que o terrorismo machista, que mata umha meia de duas mulheres à semana no Estado Espanhol, está sendo combatido? Evidentemente nom, na pergunta está a resposta. E pola outra banda, corre-se o perigo de que este terrorismo faga diminuir a atençom nas outras formas de dominaçom? Às vezes parece que só sofre violência machista a mulher que batem nela... A imagem da violência de género como golpes ou mortes é absolutamente intencionada por parte dos poderes públicos e dos mass media. Do feminismo leva-se denunciando desde sempre que as mortes das mulheres som a máxima expressom da violência mas esta começa muito antes, em todos os estamentos sociais, na família, na escola, da igreja, ... Há um consentimento e cumplicidade social e político absoluto ao respeito da violência contra as mulheres, enquanto isso nom mude, nom vai haver lei que nos proteja... nom é esse o caminho... A luita contra a violência machista nom se pode parchear com leis e castigos contra as expressons físicas da violência, tem que começar muito antes, ... só pode ser fruito de umha mudança profunda, radical e revolucionária contra o sistema capitalista e patriarcal que a sustenta. Qual é a vossa forma de actuaçom? Como articulais o discurso teórico feminista e a intervençom social e política? O nosso funcionamento é químico, baseamo-nos no princípio de acçom-reacçom. Somos un grupo heterogéneo de mulheres com distintas militâncias e andainas individuais reunidas numha fronte que é comum a todas nós: a luita contra o sistema machista no que vivemos em todas e cada umha das suas expressons de dominaçom e opressom. Nós artelhamos o nosso discurso ao traveso das acçons na rua, ocupando as retinas pra chegar às consciências, com violência mas esta vez sim, da necessária, das que liberam aos povos... A dominaçom masculina é umha luita mais, ou ocupa um papel central na nossa sociedade? Às vezes apresenta-se-nos como algo mui específico e periférico, penso por exemplo nos "Ministério de Mulher e Juventude"... A pretendida institucionalización do feminismo fai mais dano que bem à luita das mulheres, acotando o terreno reivindicativo, pervertendo a linguagem, convertendo a luita feminista em algo "amável" para o poder simulando estar do "nosso" lado. A “suas” medidas: discriminaçom positiva, lei contra a violência, conselharias e institutos ad hoc, conformam o teatro perfeito de que o poder nos vai solucionar a vida, só obviam o mais fundamental, que é esse mesmo poder o que alimenta o sistema machista que nos oprime e anula. Já o di a frase de umha abolicionista e feminista anglo-sajona: "as ferramentas do amo nom serven para desmontar a casa do amo" A militáncia política está hoje dominada pola cissom entre a esfera ideológica e a esfera vital. Até que ponto o feminismo se tira do discurso para levá-lo à casa, ao trabalho, à vida diária? A esquizofrenia de todas as ideologias, as contradiçons entre o que dis e o que fas, entre o mundo no que queremos viver e o mundo no que vivemos é algo ao que o feminismo tampouco é alheio... O sistema machista e patriarcal é o sistema que há, aqui estamos todas, luitando todos os dias e a todas horas, na rua, na casa, no trabalho, nas festas e, também, na vida diária da militância política. Até que o feminismo seja umha loita prioritaria para todo e todas nom haverá escapatória. Que sintomas de machismo detectades dentro dos outros movimentos sociais e políticos? Às vezes, os colectivos organizados na luita política e social pensam (pensamos) que já estám de volta de certas atitudes e... nada mais longe da realidade... Segue a ser incompreesível para nós que, tendo as mulheres sobre si a repressom mais dura e feroz, o maior número de mortes no mundo polo mero facto de ser (mulher), de existir, que nom haja um clamor popular, umha indignaçom do mundo inteiro que remate com esta loucura. Porém, os colectivos políticos e sociais, a nível planetário, repetindo as leiçons bem ensinadas por umha banda, e bem aprendidas pola outra, do sistema patriarcal, conformam-se com deixar um espaço, isso sim, todo "lilás", dentro de cada um deles, para as reivindicaçons próprias das mulheres... que nom suas. Que nom se nos malinterprete, nom é que precisemos que nos venham a salvar, é simplesmente que isto nom é cousa nossa, é cousa de todas e já! Assim como as mulheres estamos em todas as luitas, porque nom há umha que seja a nossa, (todas som as nossas luitas: a revoluçom total contra o sistema patriarcal), vemos que nom se entende igual desde os colectivos e organizaçons sociais e políticas, que seguem a pensar que primeiro vai a revoluçom e, seguidinho, "o problema das mulheres" sem decatar-se de que o estám pensando ao revés, que nom se pode derrubar o edifício deixando os cimentos. Qual é a vossa visom do feminismo galego actual? Hoje em dia nom existe um movimento galego organizado como tal, há numerosos colectivos feministas en toda Galiza que estám trabalhando a nível mais bem local. A maiores temos o problema dos múltiplos "espaços lilás" (imos chamar-lhe assim) que há em cada organizaçom mista, que às vezes motiva ou condiciona a falta de tempo ou de visom política da necessidade de trabalharmos juntas, mais ... aí estamos ... |
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Pensais que o terrorismo machista, que mata umha meia de duas mulheres à semana no Estado Espanhol, está sendo combatido?
Seguimos trazendo de novo à luz conteúdos do periódico Gralha que, além do seu evidente interesse histórico, continuam a apresentar certa vigência no actual cenário político. É este o caso da entrevista a Ramom Lôpez-Suevos, do outono de 1997, no que se debulham temas de inegável importância 13 anos depois: a evaporaçom ideológica do nacionalismo institucional (“Começando polo Bloco, dizer que hoje é mais um partido do sistema onde nom se aprecia ideologia nenhuma”), a obsolescência dos partidos (“nos últimos anos, as únicas cousas interessantes nascérom à margem dos partidos, desde o reintegracionismo até o movimento de insubmissos”), a dissociaçom entre ideologia de vida e ideologia eleitoral (“Umha das cousas mais interessantes a dizer do nacionalismo nos últimos anos é que quanto mais aumentam os votos menos se nota na gente, por exemplo na evoluiçom da língua”), o colonialismo económico e cultural (“Desde logo há umha subordinaçom económica, umha opressom política e um esmagamento cultural total do país. Tudo isto está concatenado. Poderiamos-lhe chamar colonialismo versom europeia”), a independência como única opçom democrática (“Opto pola independência total. Independência até para cedê-la ou para negociá-la. Na Europa desde logo seria melhor ser um estado que umha regiom da Espanha”), a relaçom com a lusofonia (“Por outra parte, há que primar por todos os meios a relaçom com Portugal por razões culturais, geopolíticas e de contrarrestas as forças centrípetas e também por razões económicas”) e mesmo a situaçom da universidade galega (“A universidade sempre foi um factor colonizador. Sempre o foi e segue-o sendo mas hoje em dia nom se vê resposta”)