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Milhares de pessoas polo idioma PDF Imprimir E-mail
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20 de Outubro de 2009

Manifestaçom de Compostela confirma a força ascendente dos movimentos normalizadores

ImageLonge das polémicas numéricas sobre quantos milhares de galegas assistírom, a manifestaçom do 18-O tivo umha força incontestável. Num panorama tremendamente adverso para o idioma, as multidons que ocupárom a capital pola segunda vez num ano, demonstrárom que a defesa do idioma vive um relativo reponte. Desde o autonomismo mais acomplexado até o independentismo mais combativo -passando por um sem fim de galegos sem ubicaçom política clara- a defesa da língua coloca-se na agenda. Frente a aparente omnipotência das elites galego-hispanas de sempre (na economia, na política e na mídia) surge um país que ainda tem muito a dizer.

 

Compostela paralisou-se desde as onze da manhá do domingo, com o tránsito rodado varrido do mapa, e todos os bares do centro da cidade saturados de pessoas que acodiam à manifestaçom. Quase se poderia afirmar que, salvo a Galiza aderida à extrema direita instalada no PP e numha parte importante do PSOE, o conjunto da Galiza aderiu a um acto de reivindicaçom elemental, bem assistindo, bem secundando passivamente um berro unánime em favor da língua.

Correcçom política e ideias fortes.

De maneira mui semelhante ao que aconteceu nas grandes mobilizaçons do Prestige, a consciência de defender a própria dignidade foi o motor mobilizador das multidons. À margem de programas políticos, ou de umhas ou outras visons da língua, a grande corrente de arraste foi erguer-se contra as aldragens do novo governinho e os grupúsculos ultras que aguilhoam a campanha antigalego. Precisamente por esta condiçom do acto, e independentemente das siglas que convocarem, todo o mundo se sente parte dumha manifestaçom que representa a toda a Galiza mobilizada, com todas as suas singularidades e contradiçons.

Fora disso, e já nas minorias militantes, visibilizou-se um choque de discursos evidentes, que aluma razons de fundo mui contraditórias. Assi, as forças do autonomismo, além de aproveitar o acto para passear mediaticamente líderes e marcas políticas, patenteárom a sua obediência à falácia bilingüista. Num plantejamento ideal e nom conflitivo, abondaria com o reconhecimento hipotético dos mesmos deveres para galego e espanhol, para assi a nossa língua respirar tranquila. Da mesma maneira, obviam-se cuidadosamente as alusons à soberania galega, ou à dimensom internacional do idioma, elementos indigeríveis para a correcçom política. Desta maneira, e a um tempo que se apresentam como envolvidos numha causa social, estes sectores aproveitam os actos de massas para a sua particular promoçom política. O caso mais palpável foi o do ministro de justiça, o galego-espanhol Francisco Caamanho, que desfilou com escolta e livrou assi das iras independentistas. Trata-se do mesmo ministro que deitou por terra juridicamente a proposta de estatuto catalám, que precisamente dava à língua de aquel território estátus de língua nacional.

Em chaves opostas, o independentismo e o reintegracionismo circulárom na periféria da manifestaçom, com um bloco de seu dificilmente homologável ao central, e que apontava à necessidade da soberania, à conseguinte mudança do estátus jurídico-político, e à inserçom plena na lusofonia. Como vem sendo habitual, a laranjada tivo o seu espaço, assinalando com chorros de pintura os negócios mais odiados do país, a banca e lojas de roupa para ricos. O acto deste movimento, fundamentalmente articulado em volta dos centros sociais, rematou na Praça do Toural, onde se leu um manifesto próprio. Ainda que foi um encontro intergeracional, o bloco monolingüista caracterizava-se pola sua mocidade.

O poder da língua.

Sem pensar que um acto como este tem capacidade de seu para inverter a tendência pró-espanhola que se observa nas últimas décadas, si que pode abrir algumha porta. Porque a diferença de outros actos massivos (contra a guerra do Iraque, contra o ataque a Gaza ou contrá as marés negras), onde as multidons representam em manifestaçom a sua impotência, na luita pola língua demonstram em troca o seu poder. Nesta ocasiom nom se trata de saídas rituais à rua para influir em decisons de instáncias afastadas, alheias aos parlamentos e guiadas pola economia, senom da livre decisom sobre o dia a dia de galegos e galegas. Com umha legalidade desfavorável -como a que soporta este país desde há centos de anos- o idioma tem possibilidades de resistir, assentado da desobediência diária de milhares de pessoas. Porque se umha mudança de estátus jurídico-político semelha longe para a Galiza, a possibilidade de resistir e vitalizar o idioma está presente desde já na acçom de cada um.

Iniciativas complementares.

E como exemplo do antes dito, no dia 18 vimos também algumhas das iniciativas que a comunidade nacional está a activar em algumhas frentes. Já de tarde, e aproveitando a grande assistência à mobilizaçom, o parque de Belvis acolheu um novo encontro da conferência centro da Liga Nacional de Bilharda, onde pessoas de distintas geraçons provárom o auge deste desporto popular, plenamente normalizado lingüisticamente. Noutra orde de cousas, mas conectando com o espírito da jornada, o projecto da Galicola apresentou-se na Alameda, com um stand que logo esgotou as suas existências. A bebida, que dedica os seus fundos à promoçom do galego, também servirá para promover um concurso de projectos normalizadores, com a rúbrica de "prémio Ângelo Casal". Também esta bebida acadará rango de "oficialidade" nos encontros da LNB.

 

 

 

 

 

 
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Opiniom

Entrevista a Ramom Lôpez-Suevos

Entrevista a Ramom Lôpez-Suevos em Gralha


ImageSeguimos trazendo de novo à luz conteúdos do periódico Gralha que, além do seu evidente interesse histórico, continuam a apresentar certa vigência no actual cenário político. É este o caso da entrevista a Ramom Lôpez-Suevos, do outono de 1997, no que se debulham temas de inegável importância 13 anos depois: a evaporaçom ideológica do nacionalismo institucional (“Começando polo Bloco, dizer que hoje é mais um partido do sistema onde nom se aprecia ideologia nenhuma”), a obsolescência dos partidos (“nos últimos anos, as únicas cousas interessantes nascérom à margem dos partidos, desde o reintegracionismo até o movimento de insubmissos”), a dissociaçom entre ideologia de vida e ideologia eleitoral (“Umha das cousas mais interessantes a dizer do nacionalismo nos últimos anos é que quanto mais aumentam os votos menos se nota na gente, por exemplo na evoluiçom da língua”), o colonialismo económico e cultural (“Desde logo há umha subordinaçom económica, umha opressom política e um esmagamento cultural total do país. Tudo isto está concatenado. Poderiamos-lhe chamar colonialismo versom europeia”), a independência como única opçom democrática (“Opto pola independência total. Independência até para cedê-la ou para negociá-la. Na Europa desde logo seria melhor ser um estado que umha regiom da Espanha”), a relaçom com a lusofonia (“Por outra parte, há que primar por todos os meios a relaçom com Portugal por razões culturais, geopolíticas e de contrarrestas as forças centrípetas e também por razões económicas”) e mesmo a situaçom da universidade galega (“A universidade sempre foi um factor colonizador. Sempre o foi e segue-o sendo mas hoje em dia nom se vê resposta”)

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Fragmentos de uma entrevista de Neira Vilas a Luís Soto gravada em 1977

Luís Soto: “A Castelão e a mim figeram-nos membros  de honra da Federação Mundial de Sociedades Negras”

 

ImageNeira Vilas: Qual era a missão concreta que o governo da República lhe encomendou a Castelão em Cuba o ano 1938?

Luís Soto: “Castelão, junto com Virgínia, a sua dona, acabava de voltar da União Soviética, aonde foram no verão desse ano, numa comissão presidida por outro galego, Galhoso, de Ourense. Castelão manifestava-se mui bem impressionado por aquela visita. Eu figem-lhe então duas intervius, uma em Frente Rojo e outra em Nova Galiza, periódico do 5.º Corpo de Exército, que se publicava no frente e que eu dirigia. Sobre esta viagem dizia-me, entre outras cousas: “Se o experimento social feito polo povo da URSS, tão transcendente e significativo, tivesse fracassado, teríamos de estar sempre agradecidos a este povo maravilhoso e a esse partido tão certeiro e inteligente, que se sacrificava pola paz e pola liberação da classe trabalhadora. Mas como este experimento trunfou definitivamente, estenderá-se polo mundo inteiro e temos de seguir este espelho e este exemplo”.
 
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