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19 de Setembro de 2007

Vendidos!

ImagePublicamos na secçom de opiniom do portal um artigo remitido polo jornalista galego emigrado em Barcelona Miguel López Calçada. O artigo forma parte de umha série de textos que iremos publicando em que o autor escreve por boca de diferentes personagens a respeito do nosso País. Visons tópicas da Galiza, emigraçom e vivências pessoais deixam-se ver nos textos remitidos polo colaborador que conta com umha dilatada carreira profissional no mundo do jornalismo.

 

 Por Carlos Miguel Pedrosa y López de Calzada
Vendi-me há dez anos por cinquenta mil pesetas sacadas dum caixom. Nom foi a derradeira vez. Daquela, adicava-me com bendita ilussom a reportagear intrépidas viagens no transporte público urbano lugués. Um bom dia, encarregaram-me fazer um especial sobre o septuagésimo quinto aniversário da empresa. A única condiçom era nom entrevistar o director: estava vetado pola presidenta. Tanta gente, tanto dinheiro dependiam do vento que lhe dera a uma boa senhora segundo se erguera pola manhã. Sairam-me as primeiras canas. Rematava de editar às três da manhã e entrava de novo a currar às onze.
Tamanha inutilidade manifesta nom pode ser senom fruto da burrámia paleta própria desta grossa aldeia natal minha, pensei eu, cheio ainda de vida, esperança, futuro, força, sonhos e amor. E partim assim ver mundo, confiando na perícia gestora doutros empresários mais preparados e conscientes do seu papel como criadores de riqueza, dadores de emprego.
Na rádio pública todo era tranquilidade. Tanta, que tardaram horas em anunciar a trégua duns iluminados, porque o Presidente, o de todos, nom dava dado a sua aprobaçom. Nom fora ser. Na rádio privada, o chefe passava dietas a Madrid até quando estava de baixa. A cadeia nom tardou em ir a quebra, mas no seu descarrego direi que ele nom era o único que roubava. Eu mesmo fixem-me com uma boa coleçom de CD’s.
Fintando a debacle das ondas, fum dar onde um empresário moderno, de esquerdas, nosso. Pensa el. Fazia-nos perder o tempo em intermináveis reuniões que tinham o objectivo de demonstrar que ele tinha umas ideias geniais. Vive dos negócios que lhe proporcionam os amigos, o mesmo que os empresários antigos, de direitas. Penso eu. Polo demais, o mesmo de sempre: tentando que nom me despediram e, ao tempo, nom escrever mentiras. Infructuoso. A minha nai procurou educar-me para nom ser um mentirám. O que me fode é que, passado o tempo, o preço da mentira rubira tam pouco desde aquelas cinquenta mil primeiras pesetas. Um já lhe colheu o gosto a se vender.
Última Atualização ( 20 de Setembro de 2007 )
 
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