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27 de Setembro de 2007

'Vendidos!' (II)

ImagePublicamos segunda entrega de artigos de opiniom, que previamente virama luz no boletim do Espaço Radiofónico Galego de Catalunha (ERGAC). Este texto assina-o Ana Nogueira de Ramuim, e foi transcrito por Carlos Pedrossa de Miguel e Lope da Calzada, segundo nos informam num correio electrónico.

Por Ana Nogueira Ramuín
Gravado e transcrito sem licença nem escrúpulos por Carlos Pedrossa de Miguel e Lope da Calçada

Bo', som Ana, os anos que tenho nom lhe interessam a ninguém e si, bo', suponho que si que me vendim,.que som uma vendida, nom som? Agora, se por vendida lhe chamas a ter um bom trabalho, eh?, E uma posiçom. E a nom ser uma tirada por aí. Pois logo aí si, mira, serei uma vendida, logo.


Ai, agora isso si, eh? A mim nom me veu ninguém ofrecer nada. Eu acabei a carreira, entrei aqui de práticas, por méritos próprios, eh?, que a mim nom me enchufou ninguém, e até agora. Até agora, trabalhando. Pois irá já para os dezaseis anos... E, homem, pois igual nom é o trabalho que sonhei toda a vida ou quando era pequena, mas é que já nom somos nenos, eh? E hai que se ir conformando co que hai, que muitos están muito pior...
Passo muito tempo sentada, diante do ordenador e som bastantes horas a verdade, pero, mira, aí tenho postas umas prantinhas minhas, vês, que rego todos os dias e, ademais, eu nom venho aqui fazer amigos, nom como outros. E outras..., porque a essa, a ver quem se lhe ocorreu pô-la de encarregada se nunca na vida se preocupou da oficina... O que passa é que Jose anda parvinho com ela e ela fai o que quere del, porque el nom tem maldade nenguma e nom vê que se aproveita...


E renunciar, pois claro que tivem que renunciar a bem cousas, eh?, claro que si. Mas é que..., nom pode uma passar a vida mirando para as musaranhas, eh?, e sonhando com paifocadas e aguardando que empece o mundo a virar para o outro lado, porque isso nom o imos ver, eh? Nom o vou ver eu, nem o has ver ti tampouco... Agora, o que prefira entreter-se com andrómenas, a mim parece-me perfecto. Bárbaro, parece-me. Logo que nom venham  esmolar, isso si. Que nom estou eu trabalhando para que a outra gente ande de festa.


Assi que, vendida? Pois si, mira. Mas eu tenho uma casinha minha, bo', nom é minha ainda de todo, pero já ti me entendes, e tenho o meu cochinho, eh?, e nom lhe tenho que andar pedindo a ninguém e mira... E quando poda, colho uns dias e marcho para o sul. Agora nom podo, que está a minha nai má, mas em quanto poda, baixo uns dias e mira. Disque ali a gente é mais aberta que aqui. Aqui hai muito repugnante.


Ás vezes sinto-me um pouco soa. Logo estou bem. O que passa que ás vezes... Estou mui soa.

 
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Opiniom

Entrevista a Ramom Lôpez-Suevos

Entrevista a Ramom Lôpez-Suevos em Gralha


ImageSeguimos trazendo de novo à luz conteúdos do periódico Gralha que, além do seu evidente interesse histórico, continuam a apresentar certa vigência no actual cenário político. É este o caso da entrevista a Ramom Lôpez-Suevos, do outono de 1997, no que se debulham temas de inegável importância 13 anos depois: a evaporaçom ideológica do nacionalismo institucional (“Começando polo Bloco, dizer que hoje é mais um partido do sistema onde nom se aprecia ideologia nenhuma”), a obsolescência dos partidos (“nos últimos anos, as únicas cousas interessantes nascérom à margem dos partidos, desde o reintegracionismo até o movimento de insubmissos”), a dissociaçom entre ideologia de vida e ideologia eleitoral (“Umha das cousas mais interessantes a dizer do nacionalismo nos últimos anos é que quanto mais aumentam os votos menos se nota na gente, por exemplo na evoluiçom da língua”), o colonialismo económico e cultural (“Desde logo há umha subordinaçom económica, umha opressom política e um esmagamento cultural total do país. Tudo isto está concatenado. Poderiamos-lhe chamar colonialismo versom europeia”), a independência como única opçom democrática (“Opto pola independência total. Independência até para cedê-la ou para negociá-la. Na Europa desde logo seria melhor ser um estado que umha regiom da Espanha”), a relaçom com a lusofonia (“Por outra parte, há que primar por todos os meios a relaçom com Portugal por razões culturais, geopolíticas e de contrarrestas as forças centrípetas e também por razões económicas”) e mesmo a situaçom da universidade galega (“A universidade sempre foi um factor colonizador. Sempre o foi e segue-o sendo mas hoje em dia nom se vê resposta”)

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Formaçom

Fragmentos de uma entrevista de Neira Vilas a Luís Soto gravada em 1977

Luís Soto: “A Castelão e a mim figeram-nos membros  de honra da Federação Mundial de Sociedades Negras”

 

ImageNeira Vilas: Qual era a missão concreta que o governo da República lhe encomendou a Castelão em Cuba o ano 1938?

Luís Soto: “Castelão, junto com Virgínia, a sua dona, acabava de voltar da União Soviética, aonde foram no verão desse ano, numa comissão presidida por outro galego, Galhoso, de Ourense. Castelão manifestava-se mui bem impressionado por aquela visita. Eu figem-lhe então duas intervius, uma em Frente Rojo e outra em Nova Galiza, periódico do 5.º Corpo de Exército, que se publicava no frente e que eu dirigia. Sobre esta viagem dizia-me, entre outras cousas: “Se o experimento social feito polo povo da URSS, tão transcendente e significativo, tivesse fracassado, teríamos de estar sempre agradecidos a este povo maravilhoso e a esse partido tão certeiro e inteligente, que se sacrificava pola paz e pola liberação da classe trabalhadora. Mas como este experimento trunfou definitivamente, estenderá-se polo mundo inteiro e temos de seguir este espelho e este exemplo”.
 
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